Acções previstas

Os bosques de amieiros (Alnus glutinosa) instalam-se, em geral, nas margens de cursos de água permanentes, de águas correntes mais ou menos rápidas (fácies lóticos) ou, de forma localizada, em águas lentas (fácies lênticos), estando quase ausentes dos cursos de água temporários de acusado regime torrencial, por conseguinte, este habitat tem o seu óptimo fitossociológico nos troços médios de rios com águas oligotróficas a mesotróficas e solos siliciosos. Estas formações são compostas floristicamente, ao nível do estrato arbóreo por Alnus glutinosa, Fraxinus angustifolia, Salix atrocinerea; o estrato arbustivo por arbustos espinhosos como Crataegus monogyna e arbustos não espinhosos como Salix salviifolia subsp. salviifolia, Frangula alnus e Sambucus nigra; lianas – Bryonia dioica subsp. cretica, Hedera helix s.l., Tamus communis e Vitis vinifera subsp. sylvestris; e por um estrato herbáceo – numerosas espécies higroesciófilas e nemorais, entre as quais numerosos pteridófitos (e.g. Asplenium onopteris, Athyrium filix-femina, Blechnum spicant, Dryopteris sp. pl., Osmunda regalis, Polystichum setiferum).

Amieiro (Alnus glutinosa)

Em grande parte das situações, como a que se regista nos locais de intervenção do projecto, como num passado recente se situaram na interface campos de cultivo – cursos de água e perto de alguns povoados, em solos de interesse agrícola, os amiais foram reduzidos, por acção antrópica, a uma estreita cortina com uma única fiada de árvores. A reclamação pela agricultura de parte do habitat amial foi acompanhada pela fixação dos talvegues dos cursos de água e uma redução da área de ocupação de charcas temporárias estivais e de depósitos de sedimentos naturalmente associadas a este habitat. Por outras palavras, numa condição pristina, certamente ante-medieval, os amiais eram mais espessos e meandrizados, dispunham-se em mosaico com charcas temporárias e depósitos de sedimentos, estavam sujeitos a perturbações (sobretudo enxurradas) de maior severidade. Os cursos de água, por seu turno, mudavam frequentemente de leito. Esta constatação é, só por si, uma justificação para investir na expansão da sua área de ocupação.

Mais especificamente, o projecto visa favorecer a biodiversidade e a integridade ecológica das áreas a intervencionar, da seguinte forma:

    • Melhorar o grau de conservação do habitat prioritário bosques ripícolas de amieiro [91E0 *Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)];
    • Pontualmente abrir clareiras, criando um mosaico no interior do habitat prioritário bosques ripícolas de amieiro [91E0 *Florestas aluviais de Alnus glutinosa e Fraxinus excelsior (Alno-Padion, Alnion incanae, Salicion albae)], alternando espaços densos e sombrios com outros sujeitos à luz solar, de forma a possibilitar a plantação e instalação de macrófitos;
    • Reconectar velhos leitos do curso de água existentes para que mais facilmente fiquem sujeitos a inundações periódicas, e criem empoçamentos mais ou menos perenes, que se constituirão como áreas essenciais para que os odonatos se instalem, se reproduzam e completem com êxito o seu ciclo biológico;
    • Potenciar uma maior heterogeneidade de formas e de condições hidráulicas, através da instalação criteriosa de pequenos bloqueios e deflectores que, ao proporcionarem diferentes velocidades de corrente e tipos de movimento, provocam alterações de micro-topografia para criação de micro-habitats para odonatos e náiades e para melhorar as interacções entre estes últimos e seus peixes hospedeiros;
    • Desenvolver um programa de reprodução ex situ de duas espécies de náiades [M. margaritifera e U. tumidiformis (=U. crassus)] e dos respectivos hospedeiros [truta – Salmo trutta (forma sedentária) e escalo do Mira – Squalius torgalensis. Este programa pretende dar suporte a técnicas de reforço das populações de ambos com resultados previsíveis. Para a dinamização do programa de reprodução em cativeiro, serão utilizados dois postos aquícolas da AFN – Autoridade Florestal Nacional: o de Torno (Amarante);
    • Criação de parcerias com autarquias e com clubes de caça e pesca locais para criação de duas zonas de pesca concessionadas, de forma a garantir zonas de protecção para as náiades e o estabelecimento de medidas de longo prazo para a manutenção das populações de hospedeiros das larvas das náiades. Pretende-se demonstrar que, com apoios locais e com a colaboração activa dos parceiros co-financiadores, é possível criar mais-valias económicas com a gestão da pesca desportiva, permitindo que parte das verbas sejam encaminhadas para a manutenção dos habitats e das espécies.

Para caracterizar a situação de referência relativa às populações de libélulas e de peixes hospedeiros das náiades e para monitorizar os resultados das acções a implementar foram celebrados protocolos com duas instituições científicas com vasta experiência nestas áreas: o TAGIS – Centro de Conservação de Borboletas de Portugal e o Centro de Biociências do ISPA – Instituto Universitário.

Projecto:

 

LIFE10 NAT/PT/000073

Com a contribuição

do instrumento financeiro LIFE da UE:

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Parceiros:

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