Áreas de Intervenção

Sítio de Importância Comunitária “Rio Paiva” – PTCON0059

Área total: 14 562 ha

De uma forma geral o Sítio apresenta uma vegetação ripícola dominada por bosques de amieiros (Alnus glutinosa) formando galeria (91E0*), frequentemente bordejada por carvalhais de (Quercus robur) (9230) fragmentários. Assinala-se a ocorrência do endemismo lusitano Anarrhinum longipedicellatum.

Em termos de qualidade da água, o rio Paiva é considerado um dos melhores da Europa, assumindo bastante importância para a conservaçã̃o da fauna aquática e ribeirinha, sendo de destacar a toupeira-de-água (Galemys pyrenaicus), a lontra (Lutra lutra) e o lagarto-de-água (Lacerta schreiberi). É também importante para algumas espécies piscícolas endémicas, e para uma das raras populaçõ̃es de mexilhão-de-rio (Margaritifera margaritifera) que tinha sido considerada extinta.

Para o lobo (Canis lupus) constitui uma importante zona de passagem/ ligação entre as Serras de Montemuro, Freita/ Arada e Lapa/ Leomil.

O Rio Paiva é um tributário do rio Douro que nasce na Serra da Nave, mais especificamente na freguesia de Pêra Velha pertencente ao concelho de Moimenta da Beira e desagua em Castelo de Paiva. Percorre, da nascente até à foz, 110 quilómetros e possui uma bacia hidrográfica de 77Km2.

Em termos climáticos, o rio Paiva atravessa uma região de clima de transição, submetida às massas de ar, continentais e marítimas, onde a penetração de das massas de ar marítimo se faz através dos vales dos rios Vouga e Douro e dos seus afluentes. Os contrastes não são muito acentuados, sendo os Verões frescos e os Invernos frios, com muita humidade. A ocorrência de nevoeiro é frequente, sendo potenciado pelo deslize de ar frio em direcção ao fundo dos vales, pelas perdas radiativas nocturnas e pelas bacias limitadas por obstáculos orográficos.

Os solos são pouco evoluídos, não sendo a maior parte objecto de qualquer actividade agrícola. Sendo os riscos de erosão elevados, o pastoreio, a exploração de matos e o uso florestal estão favorecidos.

Rã-ibérica (Rana iberica) Foto: D. Patacho

O Sítio assume um formato linear, sendo a estrutura dominante o rio Paiva. Este curso de água de média dimensão percorre um planalto no seu troço inicial, área onde predominam os matos, campos agrícolas, prados e carvalhais, apresentando a vegetaçã̃o um carácter continental.

No seu troço médio segue em vale encaixado, cujas encostas são revestidas por manchas plantadas de pinheiro e eucalipto, por matos e ainda por carvalhais e sobreirais (9330). Em parte deste troço, a orientacão do rio, as vertentes de declive elevado e a predominância de substrato xistoso determinam a existência de vegetação de carácter termomediterrânico.

Nas margens as zonas rochosas de afloramentos e bancos de pedrasalternam com zonas de terra, onde se instala um extenso cordão de vegetação ripícola. Na sua parte final, apesar do aumento da área plantada com eucaliptos, as vertentes evidenciam elevada cobertura e boa densidade vegetal, denunciando já um carácter atlântico.

Sítio de Importância Comunitária “Costa Sudoeste” – PTCON0012

Área total: 118 267 ha

Dunas embrionárias

O Sítio Costa Sudoeste apresenta uma grande diversidade de habitats costeiros, incluindo sapais, falésias, sistemas dunares e sistemas lagunares. São de salientar, pela sua singularidade, as falésias litorais e áreas adjacentes, expostas a ventos marinhos carregados de salsugem, onde ocorrem comunidades endémicas apenas deste Sítio.

Aqui ocorrem matos baixos, de carácter prioritário, com co-dominância de Cistus palhinhae (5140*) ou as arbustivas em forma de almofada, caracterizadas pelo domínio de Astragalus tragacantha (5410).

Comunidades arbustivas em forma de almofada no Cabo de São Vicente

Destacam-se igualmente os matos sobre areias consolidadas, com diversos habitats prioritários, caso das comunidades de tojais, tojais-urzais e tojais-estevais, com dominância de Ulex australis subsp. welwitschianus (2150*), os matagais de zimbro (Juniperus turbinata subsp. turbinata e Juniperus navicularis) (2250*), e os pinhais de Pinus pinaster subsp. atlantica, de P. pinea ou mistos, adultos, com origem em arborizações ou regeneração natural, com vegetação de subcoberto sucessionalmente evoluída, não sujeita a mobilizações ou roça recente (2270*). Referência também para os matos de areias dunares, litorais ou interiores, dominados pelo género Stauracanthus e outros arbustos espinhosos (2260), onde são observáveis inúmeros endemismos florísticos portugueses e ibéricos.

Lagoas temporárias do Vila do Bispo

Importantes são ainda os charcos temporários mediterrânicos (3170*) e as charnecas húmidas atlânticas meridionais (4020*), dois habitats prioritários que evidenciam as características mistas atlânticas e mediterrânicas do Sítio, e os matos de vegetação halonitrófila onde se albergam plantas espinhosas e terófitos nitrófilos de territórios quentes e secos a áridos (1430).

Aqui se congrega um notável património florístico, de extrema importância científica a nível mundial, constituindo-se como uma das áreas europeias de maior biodiversidade florística, com especial profusão de endemismos nacionais (e.g. Avenula hackelii, Biscutella vicentina, Centaurea fraylensis, Chaenorrhinum serpyllifolium subsp. lusitanicum, Cistus palhinhae, Diplotaxis vicentina, Herniaria algarvica, Herniaria maritima, Hyacinthoides vicentina, Linaria algarviana, L. ficalhoana, Myosotis lusitanica, M. retusifolia, Ononis hackelii, Plantago almogravensis, Pseudarrhenatherum pallens, Silene rothmaleri, Thymus camphoratus, Verbascum litigiosum), muitos deles ocorrendo somente neste Sítio.

Os sistemas costeiros apresentam ambientes de substratos móvel e rochoso muito diversificados e estruturados. Neste contexto, importa sublinhar a ocorrência de recifes (1170) e de grutas marinhas submersas ou semi- submersas (8330). Uma ocorrência especialmente emblemática corresponde à adaptação ecológica da população de lontra (Lutra lutra) que ao longo da Costa Sudoeste utiliza ambientes marinhos, sendo a única em Portugal (e uma das poucas na Europa) com estes hábitos.

A ribeira do Torgal é parte integrante do SIC “Costa Sudoeste”

Este Sítio é igualmente importante para a ictiofauna de água doce, nomeadamente para a boga-portuguesa (Chondrostoma lusitanicum) – entidade a partir da qual foi descrita uma nova espécie, a boga-do-Sudoeste (C. almacai) – sendo este o único Sítio onde estão representadas as duas espécies (C. lusitanicum a Norte e C. almacai a Sul, a qual ocorre apenas nas bacias dos rios Mira e Arade). É ainda importante para a savelha (Alosa fallax), única espécie migradora ocorrente nesta área e para um bivalve de água doce, Unio crassus – entidade a partir da qual foi descrita uma nova espécie, U. tumidiformis, ambos do anexo II da Directiva Habitats.

Para além de populações relevantes de rato de Cabrera (Microtus cabrerae), o património faunístico deste Sítio inclui também abrigos importantes para os quirópteros que albergam colónias de criação de morcego-de-ferraduramourisco (Rhinolophus mehelyi), morcego-

Cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) Foto: P. Monteiro

rato-grande (Myotis myotis) e morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), e de hibernação de morcegode-ferradura-pequeno (Rhinolophus hipposideros). Verifica-se a presença significativa das duas espécies de cágados, o cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis) e o cágado-mediterrânico (Mauremis leprosa). De salientar a ocorrência na Serra do Cercal de uma população reliquial de lagarto-de-água (Lacerta schreiberi), confinada a três locais completamente isolados e com efectivos muito reduzidos.

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